terça-feira, 23 de setembro de 2008

O mago da ironia

Lá se vão cem anos, e quanta solidão!De lá para cá, o ser humano Esse espectro frágil de qualquer coisa que seja DeusTropeçou em suas próprias armadilhas e se perdeuPor isso, com a mesma ironia E em memória àquele que um dia iluminou essa escuridãoDedico estes versos, pobres e insuficientes versosMas que dão mote à grandeza do nome sobre o qual versoAntes do mais, perdoe-me o enganoNão, não é um espectro frágil o ser humanoÉ antes o próprio ideal trágico de um sonho infeliz e patéticoUma gargalhada profunda de um Deus incrédulo e imagéticoMas vá lá, voltemos ao nosso moteE à homenagem ao grande Cavaleiro das LetrasFundador da Academia Brasileira de LetrasE que nos inspira em vida e em morteJoaquim Maria Machado de AssisOu somente Machado de AssisNão era mesmo para ser o orgulho da pátriaEstava mais para um néscio ou um pariaMulato pobre, gago, órfão, epilético e sem estudoTornou-se logo entre todos o mais cultoE contrariando a ordem lógica do mundoInverteu a lógica, o real e o ocultoEnxergou como ninguém a alma humanaE a revelou com a elegância de uma arte grega ou romanaMas o fez com tal sinceridadeQue até parece crueldadeÉ que o homem vive numa crise de identidadeAnte o bem e o mal, a dualidadeHomenageado com honras em seu velórioMachado de Assis nunca foi um simplórioSabia que a vida é um desafio complexoE que só com maestria e valentia é que faz nexoPor isso aproveitou a ironia de ter nascido pobrePara morrer com a insígnia de um espírito nobre

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