Vou ter de esquecer teu amor, meu amor. Quando no relógio ver que já não há porque te esperar,mesmo assim vou-te chamar. Espero que venhas logo, não te demores porque o tempo em que penso no não te ter depois desencoraja-me e faz-me recuar. E não tenho mais tempo para recuos. A vida segue em frente, e de tanto te querer comigo deixei de saber olhar para o caminho onde sigo e passo os dias a olhar o céu...passo as noites a fugir da lua, e tudo o que existe para além disso não me interessa.
Por isso, vou ter de te esquecer, meu anjo... meu amor. Vou afiar a borboleta que desenhei hoje e é com ela que te arranco da vida. Da minha vida. (24 hrs de sobrevivencia)
Espero que venhas vendada para não me veres chorar. Espero que tragas uma venda a mais e que me tapes os olhos com ela para que eu não tenha de te ver partir. Não tragas os teus lábios, peço-te. São sulcos de magia onde mergulho de cada vez que pestanejo...sei que acabo por cegar se tiver de ler neles a tua despedida – “até sempre, princesa...”.
E não tragas as tuas mãos, nem os teus cabelos não tão lisos, em meio ao ombro de cor castanha... não me deixe brincar de cócegas até te tocar o umbigo... Não te tragas, meu amor.
Deixa esquecido o teu andar desajeitado e vem a voar. Não te quero ver tropeçar outra vez. Sei que se acontecer, vou correr até ti, tentar amparar-te e vou acabar por cair contigo...e não mais me levanto...não mais te esqueço.
Não tragas também a tua pele de linho, nem a tua respiração, nem o ritmo sinfónico da tua pulsação.
Não tragas nada e vem depressa.
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